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Ferramenta estratégica para a luta dos comunicadores

COMUNICAÇÃO: Ferramenta estratégica para a luta dos comunicadores

Roberto Tomé

Jornalista/Radialista

Contato: (83) 9 8841 – 0192 argumentojpb@gmail.com

Muito se fala e se debate sobre a importância da comunicação nas entidades representativas. É algo que fica ainda mais evidenciado quando as entidades, nos planejamentos de gestão, refletem um pouco mais sobre sua atuação e insuficiências. A comunicação – ou a falta dela –, em geral, aparece como um problema a ser enfrentado e solucionado. Nota-se, também, uma enorme dificuldade nas direções destas entidades quanto à identificação das medidas necessárias e do caminho a seguir para enfrentar o problema.

Há duas questões que são decisivas para seguir adiante: a decisão política da direção representativas visando à construção de uma política de comunicação que realmente faça a diferença e, consequentemente, a disposição para a sua realização com o investimento necessário. Neste sentido, é imprescindível que a comunicação deixe de ser encarada como uma atividade meramente instrumental.

O que se almeja, na verdade, é a existência de uma política de comunicação capaz de refletir as principais decisões da organização dos trabalhadores. Deve ser atualizada e ter a capacidade de operar segundo as melhores práticas e técnicas e precisa ser bem resolvida quanto à forma e ao conteúdo. Ou seja, para que de fato faça a diferença na disputa pela hegemonia, a comunicação deve ser feita com um alto nível de qualidade. Cabe à entidade, portanto, ter estruturas e profissionais adequados e um plano de comunicação bem definido.

Um cenário que exige mais comunicação

O mundo, assim como o Brasil, mudou muito nas últimas décadas e a luta social e política dos trabalhadores e seus representantes têm sido fundamentais para isso. Mas esses mesmos representantes, que são comprometidos com um projeto transformador baseado na visão dos trabalhadores, necessitam de reposicionamento permanente diante dos novos desafios da luta de classes neste contexto contemporâneo.

As entidades que dispõem esta a frente nas lutas pelos os direitos, sobre tudo, buscando melhorias e segurança para os profissionais que exercesse a função de comunicar e informar precisa esta atenta aos rumos que a comunicação seguiu.

O novo padrão da luta de classe para o momento atual é dos mais desafiadores: trata-se de uma ação que precisa ser combativa, independente, moderna e, ao mesmo tempo, ter a capacidade de criar novos espaços de relação com os trabalhadores, suas famílias e dialogar mais amplamente com a sociedade. A comunicação se impõe como ferramenta essencial e estratégica nesta jornada.

Superar a defasagem

As entidades representativas foram, no entanto, ficando para trás. Ainda debatem pouco a comunicação social, sua legislação, entraves e limitações democráticas. De outro lado, desenvolveram pouco seus sistemas próprios de comunicação, que estão desatualizados. Enquanto as tecnologias da comunicação deram passos largos nesses últimos anos, são raríssimos os exemplos de entidades representativas que realmente aprofundaram a reflexão sobre a comunicação no seu dia a dia e que valorizam e investem na área.

Em geral, as entidades ainda subestimam o papel da comunicação como elemento fundamental na luta de ideias e mobilizadora da classe e da sociedade. Há pouca clareza acerca das características próprias deste tipo de comunicação (a comunicação alternativa ou contra-hegemônica) e seu potencial. Como há pouco investimento, os setores de comunicação das entidades são precários estruturalmente e o resultado, por óbvio, também é limitado. Não se dá o tratamento técnico adequado e as mensagens possuem pouca qualidade formal. Além disso, padecem de conteúdo truncado, ou seja, a mensagem não é atraente e não estabelece uma real conexão com o que realmente importa: a política da entidade.

Mesmo para efeitos de comparação, ao examinar o padrão de investimento e qualidade de produção da mídia hegemônica no Brasil, e mesmo o padrão da comunicação empresarial, não restam dúvidas: cabe aos trabalhadores superar o atraso e desenvolver mais e melhor suas políticas de comunicação.

Na medida em que a sociedade se complexifica, com os novos perfis de trabalhadores, isso se torna cada vez mais imprescindível. É necessário, por meio de pesquisas, conhecer melhor estes trabalhadores e identificar como a sociedade percebe as entidades representativas e suas bandeiras de luta. A partir daí, trabalhar a imagem da entidade frente à sua base e à sociedade de maneira planejada, posicionando-a e estabelecendo metas de crescimento e influência, assim como estabelecer canais de comunicação democráticos, que permitam o reconhecimento e a participação ativa dos trabalhadores e da sociedade, entre outras questões. Portanto, no mundo atual, não é possível pensar em uma representatividade “combativo” sem que haja investimento em comunicação. Hoje em dia, para a consecução da luta dos trabalhadores, também é necessário se levar em conta o alto grau de sofisticação dos processos de construção simbólica existentes na sociedade, em especial no mundo dos comunicadores.

É claro que uma política de comunicação mais avançada – de caráter estratégico – depende da capacidade e do nível de combatividade da direção representativas de classe e sua sintonia com os desafios dos trabalhadores num cenário cada vez mais dinâmico: dia após dia, os trabalhadores exigem mais respostas aos seus interesses imediatos, por salários, segurança, empregos mais duradouros e direitos. Uma conjuntura que também é marcada pela ascendência ao poder político da nação de um governo mais identificado com as lutas dos trabalhadores. Em meio a tudo isso, outro traço fundamental deste período é a crise do capitalismo. São componentes que ampliam a responsabilidade das organizações que precisam dar respostas às lutas imediatas e aos objetivos históricos da classe.

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